25 de março de 2010

Lulão !!!




Uma vez eu parei numa padaria – Marisa ficou no carro, eu fui comprar um pão. Cheguei lá, pedi o pão e perguntei: ‘Quanto que é?’

O cidadão do caixa falou assim pra mim: ‘Nossa, você parece o Lula! A voz do Lula...’

E um cidadão, que estava atrás de mim, falou: ‘mas não é o Lula, porque eu conheço o Lula. O Lula é mais alto, é mais moreno’.

E eu ali, na frente de um cara querendo me conhecer, e o cidadão desaforado, atrás, dizendo: ‘Não é o Lula’.

Eu fui obrigado a pegar a minha identidade e mostrar pro companheiro: ‘Companheiro, eu sou o Lula’. E ele falou: ‘É, mas não parece’.

É assim que determinados setores da imprensa se comportam (...)

19 de março de 2010

Clássicos do Rock

Você conhece Wander Wildner?

ex-integrante do Replicantes, uma das grandes figuras do Rock gaúcho.

Desfrute




Entrevista no Overmundo (link)

Alguns trechos:

"Wander, você é hippie, punk ou rajneesh?
Wander- Eu sou brega. Na verdade eu brinco dizendo que sou brega porque ninguém admite isso de si mesmo. E o brega, comparando com o resto mundo, seria o punk brasileiro.

Por quê?
Wander- O brega é uma característica, uma virtude da nossa cultura que a classe média e a classe alta depreciaram. O que é o punk? O punk inglês, por exemplo: A historia do faça você mesmo, que surgiu em Nova Iorque... Bla bla bla. Essa historia que a gente tem do punk clássico, de coturno, calça de couro, isso é em Londres. Aí você imagina: por que que ele se veste assim? De jaqueta de couro e tal? Por quê? Porque é frio, entende? Só que os punks daqui, como o Brasil é um país 500 anos mais novo e é uma colônia, copiam as coisas, eles não pensam muito. Então o punk brasileiro pode estar em Salvador, em Florianópilis ou em São Paulo, de coturno e tal... Eu acho que um punk em Florianópolis ou em João Pessoa tinha que andar de chinelo e bermuda, de camiseta branca e não preta, se ele for inteligente.

Então o punk brasileiro é burro?
Wander- É como eu digo numa música dos Replicantes: Seja punk mas não seja burro.
(...)



E vai ter show perto de Pira:

> 07 de maio - sexta - BAR DO ZÉ - Av. Albino JB de Oliveira 1325 (Barão Geraldo) - CAMPINAS - SP
24 horas - show com banda: georgia branco (baixo) pitchu (bateria)

> 08 de maio - sabado - D'VINCI MUSIC BAR - Rua 2, 813 (Centro) - RIO CLARO - SP
mesmo horário e banda

18 de março de 2010

Paulada na hipocrisia

China denuncia: violações de DH nos EUA assolam presídios e agridem liberdade de imprensa

Em um documento divulgado dia 12 pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado da China, foi apresentado um registro detalhado sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelos Estados Unidos no ano passado.

O documento divulgado pela China ressalta o chamado “ato patriótico” imposto pelo governo de Bush - usando como pretexto o 11 de setembro - para vigiar os cidadãos. “Apesar de sua defesa da ‘liberdade de expressão’, ‘de imprensa’ e ‘na Internet’”(…) a “Agência Nacional de Segurança (NSA) começou a controlar as comunicacões com equipametos especializados de escuta e interceptando telefonemas, faxes e contas de correio eletrônico em 2001. Usam isso para controlar milhões de americanos”. Com relação à liberdade de imprensa, segundo o New York Times (de 20 de abril de 2009), “o governo dos EUA fez com que ex-oficiais participassem dos jornais de rádio e TV sobre Iraque e Afeganistão para glorificar estes conflitos armados”.

Já em relação ao sistema penitenciário americano, o documento ressalta que “os casos de presos violados por carcereiros abundam”. E que, “segundo o Departamento de Justiça, o número de denúncias relacionadas com a ‘má conduta sexual’ dos trabalhadores das 93 prisões federais do país vêm crescendo nos últimos oito anos”. Há 2,3 milhões mantidos em regime de prisão.

TENSÃO

A tensão e os desníveis sociais na sociedade norte-americana teve como consequência a ocorrência de 4,9 milhões de crimes violentos. No sistema judicial a discriminação racial é escandalosa. A proporção de jovens negros condenados a prisão perpétua em 25 Estados é 10 vezes superior à dos brancos; na Califórnia é 18 vezes maior. Em 2009 houve 3.890 crimes motivados por ódio racial.

O documento relata também que, nos EUA, “a população que sofre de fome foi a mais alta em 14 anos. O Departamento de Agricultura dos EUA informou, em 16 de novembro de 2009, que em 2008 um total de 49,1 milhões de estadounidenses, ou 14,6% de todas as familias do país norteamericano, têm negado acesso permanente a uma alimentacão adequada”. A população em estado de pobreza foi a maior dos últimos 11 nãos. O Washinton Post informou, setembro de 2009, de 39,8 milhões de americanos na pobreza.

O documento conclui afirmando: “durante anos os EUA se impõem a outros países considerando-se como a ‘polícia mundial dos direitos humanos’ e ignorando seus próprios problemas a respeito, e têm publicado seus Informes para os Países sobre Práticas de Direitos Humanos para criticar outros países, utilizando os direitos humanos como ferramenta política para difamar e interferir nos assuntos internos de outras nações”.

do Jornal Hora do Povo

11 de março de 2010

Homens x Mulheres

9 de março de 2010

A Montanha

Nem tão longe que eu não possa ver
Nem tão perto que eu possa tocar
Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou

..........

8 de março de 2010

Piracicaba - parte 6

Expansão e diversificação industrial (1950-1970)


O ritmo do aparecimento de novas indústrias em Piracicaba se acelerou na década de 1940, se intensificou nos anos 1950, e atingiu seu máximo nas décadas de 1960 e 1970. Esse crescimento dos novos estabelecimentos industriais na cidade ocorreu em diversos ramos, se mostrando mais intenso na metalurgia, seguido pela indústria mecânica e química.

Além dos ramos que se destacaram, ocorreu também um aumento nas fábricas ligadas aos setores de calçados, imobiliária, confecções, de madeira, e o surgimento de novos setores, como de material elétrico, comunicações, e de papel e papelão, o qual assumiu grande importância no município.

Muitos desses novos empreendimentos estavam geneticamente ligados as demandas e disponibilidade de matéria-prima da produção do açúcar, do álcool e do aguardente, pois atendiam certas necessidades do setor (indústria mecânica, química etc) , ou utilizavam a produção e/ou refugos das fábricas como matéria-prima (indústria de celulose e papel, alimentícia etc.) Na obra de SAMPAIO (1973, p.101), encontramos um gráfico que sintetiza muito bem as relações genéticas e funcionais entre a cultura da cana e a indústria local.



O desenvolvimento de Piracicaba acompanhou a intensificação da industrialização brasileira e paulista, que nacionalizava, a cada ciclo econômico, diversos setores manufatureiros. Esse processo deu origem a um grande mercado consumidor na metrópole paulista, que demandava desde bens de consumo direto da população até matérias-prima e equipamentos para as novas indústrias.

A conjuntura econômica e política favorável à industrialização, juntamente com o promissor mercado interno, teriam grande influencia no processo de diversificação industrial de Piracicaba, liderado majoritariamente por capitais locais. A atuação de capitais nacionais e internacionais na instalação de novos estabelecimentos foi reduzida até 1970, os quais atuavam com maior interesse apenas na aquisição de empresas locais já bem estabelecidas no mercado.

A industrialização provocou à expansão demográfica e o desenvolvimento de outras atividades, como o comércio e os serviços, que transformaram a cidade em um centro urbano relativamente grande, que já possuía uma infra-estrutura atraente para a instalação de novas indústrias e a para investimentos externos, que chegariam com força nas décadas seguintes.

7 de março de 2010

Piracicaba - parte 5

O imigrante, a cana e a industrialização.


O fator inicial da implantação de indústrias em Piracicaba foi à proximidade da matéria-prima, seja da cana-de-açúcar, no caso das usinas, ou do algodão, utilizado na fabrica de tecidos Santa Francisca. Mas foi com a chegada do imigrante europeu que se desencadearam as maiores transformações no futuro desenvolvimento fabril de Piracicaba.

Já em 1870, Pedro Krahenbuhl funda uma fábrica de “trolleys” e tílburis, tida como a primeira grande indústria metalúrgica do Estado, com cerca de 40 operários e que atendia o mercado consumir paulista. Outros exemplos são a fábrica de arados de João Martins, de 1900, e a funilaria e caldeiraria Vesúvio, criada em 1907 por Vitório Furlani.

Entretanto, os primeiros empreendimentos industriais do município se desenvolveram em um período pouco favorável do país, dominado político e economicamente pela elite cafeeira, o que resultou no fechamento da maioria dos empreendimentos, como a fábrica de Pedro Krahenbuhl, que apesar da importância, não teve condições de se adaptar ao advento dos veículos a motor.

Até 1920 as indústrias locais eram caracterizadas por pequenos e médios estabelecimentos, não essencialmente ligadas à cana-de-açúcar, visto a importância do café, deixando como legado ao desenvolvimento do município a experiência técnica e profissional de uma mão-de-obra adaptada ao trabalho fabril, além do exemplo de iniciativa empresarial

Foi justamente nas décadas de 1920-30 que a iniciativa empresarial e o conhecimento técnico do imigrante iriam resultar num grande desenvolvimento industrial em Piracicaba, possibilitado por alterações na conjuntura política e econômica nacional e mundial.

O principal marco do início desse desenvolvimento municipal foi a instalação, em 1920, de uma oficina de consertos e reparos de peças para usinas e engenhos de açúcar, criada por Mario Dedini, imigrante italiano que trabalhará em uma usina da região. Esse empreendimento deu origem a um complexo mecânico – metalúrgico voltado para o equipamento e manutenção das novas usinas.

A conjuntura economia e política nacional e mundial favoreceu enormemente o empreendimento de Mario Dedini nas décadas seguintes, pois foram marcadas pela atuação do I.A.A na substituição dos antigos engenhos pelas modernas usinas de açúcar e destilarias de álcool, as quais já contavam com a fabricação de equipamentos e peças nacionais. Em 1932, o grupo Dedini equipa totalmente a usina Boa Vista, construída em Iracemápolis pelos irmãos Ometto, e em 1946, associados a esses empresários, os Dedini equipam e participam da sociedade que daria origem a Usina da Barra, então maior usina paulista.

Após o termino da 2ª Guerra Mundial o território paulista vivenciou uma grande expansão da cana-de-açúcar para regiões mais a oeste, cujos novos canaviais já nasciam ligados a modernas usinas. As empresas de Mario Dedini se tornavam os grandes fabricantes e fornecedores nacionais de máquinas e equipamentos, sendo, inclusive, embriões de novos firmas do setor, criadas por antigos funcionários, como a Santin S.A. (1948), a Mario Antoni Metalúrgica Ltda (1952), e a Motocana S.A. Máquinas e Implementos Agrícolas (1959).

A fabricação de peças de reposição e equipamentos para as indústrias de açúcar, álcool e aguardente marcaram a gênese do setor mecânico e metalúrgico de Piracicaba, sob o pioneirismo do grupo Dedini e de outros empresários, mas posteriormente os mesmo grupos iriam diversificar a produção de suas fábricas, acompanhando e buscando atender a demanda de diversos novos setores em crescimento da indústria paulista e nacional.

6 de março de 2010

Piracicaba - parte 4

A cana-de-açúcar na primeira metade do século XX


A produção brasileira de açúcar viveu um novo impulso durante os anos da 1ª Guerra Mundial, que prejudicou a produção de açúcar de beterraba na Europa. No entanto, o açúcar nacional não podia competir com a produção de Cuba, que possuía o monopólio de fornecimento do importante mercado norte-americano.

A produção brasileira e mundial, em crescimento durante a guerra, sofreu um grande abalo nos anos seguintes ao término do conflito, com a retomada da produção européia. Em 1929, a Liga das Nações tentou resolver a questão, limitando a produção, mas a reduzida representatividade dos produtores na liga impediram o sucesso da medida.

Em 1937 teve inicio o regime de cotas imposto pela Conferência Internacional do Açúcar, realizado em Londres; coube ao Brasil uma participação reduzida no mercado internacional.

Em São Paulo, a cana começou a recuperar importância econômica frente ao café em meados da década de 1920, prejudicando o açúcar nordestino. A crise de superprodução do final da década afetou enormemente o país, que viu o crescimento da intervenção estatal no planejamento e desenvolvimento futuro da produção de açúcar.

Em 1933 o Estado institui a obrigatoriedade da mistura de 5% de álcool anidro na gasolina importada, aumentando o mercado consumidor. As usinas também foram obrigadas a depositar 10% da produção de açúcar em armazéns controlados pelo governo, que buscava regularizar o preço do produto e evitar especulações.

Além dessas medidas, a Comissão de Defesa da Produção do Açúcar e a Comissão de Estudos sobre o álcool-motor se fundem, na criação do Instituto do Açúcar e do Álcool – I.A.A., que buscaria o equilibro entre a safra e o consumo de açúcar, e estimulava o uso álcool anidro como combustível.

O I.A.A. criou cotas de produção para as usinas, considerando a capacidade de produção das mesmas; a criação de novas usinas também passava a necessitar de aprovação do instituto, que exigia que se comprovasse a existência de matéria-prima não processada na região do futuro empreendimento.

A concentração de terras e da produção de açúcar nas usinas foi combatida pelo Estatuto da Lavoura Canavieira em 1947, que estabelecia um limite de 60% da produção própria de cana no abastecimento de matéria prima das usinas, limitando a expansão das mesmas sobre os pequenos e médios agricultores.

Apesar de sempre combatido pelos usineiros paulista, que criticavam a política do instituto de assegurar mercado interno à produção nordestina, menos dinâmica, o I.A.A. conseguiu estabilizar a produção nacional de açúcar, que continuava a crescer juntamente com o aumento do consumo, especialmente no centro-sul.

Em Piracicaba o instituo não passou despercebido, resultando em alguns anos de estagnação da produção. No entanto, apoiados na justificativa da disponibilidade de matéria-prima não industrializada na região, empresários locais obtiveram autorização para a instalação de três novas usinas: a união de Pedro Ometto, usineiro de Araras, e o industrial Mario Dedini deu origem a Usina Costa Pinto (1936); o mesmo empresário, junto a proprietários rurais do município instalaram a Usina Modelo de Açúcar e Álcool (1946); e a tradicional família de agricultores Brunelli foi responsável pela instalação da Usina Santo Antonio (1952).

Somadas as já existentes (Engenho Central e Engenho Monte Alegre) as 5 grandes usinas piracicabanas superaram em muito a produção de todos os antigos engenhos do município. Entretanto, Piracicaba não acompanhou o crescimento da produção de açúcar estadual, que avançava por novas áreas a oeste, como a região de Ribeirão Preto, onde se localiza o município de Sertãozinho.

Piracicaba - parte 3

A modernização da produção de açúcar.


O processo de substituição dos antigos engenhos de açúcar pelas modernas usinas se iniciou em 1875, quando o governo suspendeu as taxas de importação dos equipamentos necessários para a instalação e funcionamento dos primeiros empreendimentos, denominados na época de Engenhos Centrais. Os novos investimentos contavam também com garantias financeiras oferecidas pelo Banco de Crédito Real às companhias que se dispusessem a fabricar açúcar de forma industrial.

Essas usinas pioneiras utilizavam técnicas industriais avançadas em relação aos antigos engenhos, o que criava conflitos entre as empresas e a ainda arcaica e insuficiente produção de cana-de-açúcar no país. Assim, gradativamente a cana começou a ser plantada pelas próprias usinas, que paralelamente foram incorporando os antigos engenhos.

Esse processo repercutiu na estrutura econômica e social do município; os plantios efetuados pelas usinas e as diversas fazendas anexadas deram origem a grande produção da cana, com a utilização de mão-de-obra assalariada no campo. Nos estabelecimentos industriais das usinas, a grande demande de mão-de-obra possibilitou o surgimento do proletariado industrial já no final do século XIX.

Destacamos ainda que São Paulo não foi pioneiro na instalação de usinas de açúcar no país, provavelmente devido à importância do café na economia estadual, que concentrava quase todos os investimentos.

O primeiro grande empreendimento paulista foi justamente o Engenho Central de Piracicaba, inaugurado em 1883 às margens do rio, que tinha na força de suas águas a energia necessária para mover o maquinário de origem francesa. Curiosamente, o Engenho Central de Piracicaba é um dos poucos casos de investimentos externos na produção de açúcar, pois foi criado em uma aliança entre capitais locais (Barão de Rezende e Barão de Serra Negra) e franceses, de onde surgiu a “Societé Sucrérie Brésilienne”.

O Engenho Central de Piracicaba já surge como o maior centro de produção de açúcar regional, com 30 mil arrobas em 1884, contra 18 mil de todos os outros engenhos menores.

Em 1889, Piracicaba presenciara o surgimento de outra grande usina de açúcar, graças à modernização do antigo engenho Monte Alegre, executado com fundos do Banco Real de São Paulo. Nas décadas seguintes, a usina Monte Alegre apresentaria grande crescimento, tornando-se, juntamente com o Engenho Central, um dos maiores complexos agro-industriais do açúcar em São Paulo.

Importante considerarmos que esses investimentos ocorrem em um período pouco propício ao comércio internacional de açúcar e auge da produção cafeeira, cultura que chegou a substituir a cana como principal produto agrícola municipal.

O aumento, em números absolutos, da produção de açúcar era sustentado basicamente pelo mercado interno em crescimento, graças ao aumento populacional e a implantação do trabalho assalariado em São Paulo. A tomada do mercado paulista pela produção local resultaria na quebra de diversos engenhos do nordeste brasileiro, que se viram alijados do mercado interno e externo do açúcar.

5 de março de 2010

Piracicaba - parte 2

A onda do café


A conjuntura internacional desfavorável para o açúcar e os crescentes ganhos obtidos com a exportação do café provocaram grandes transformações no território paulista. Já em 1850-51 a exportação de café superou a do açúcar, que na década seguinte passaria a ser importado para atender o consumo local.

Segundo diversos estudos, o café se expandiu na província de São Paulo a partir do Vale do Paraíba, penetrando rapidamente em direção ao Oeste, região que apresentava condições mais propicias ao seu cultivo (fertilidade da terra e clima). Na região central da província, Campinas logo se transformou no maior centro cafeicultor do país.

Piracicaba não ficou imune ao declínio açucareiro e ao avanço do café, mas ao contrario de outras localidades, a substituição de um produto por outro nunca foi total.A partir de 1866 o café se torna à cultura de maior importância, predominando em 70 fazendas do município, contra 18 propriedades ligadas exclusivamente aos engenhos de açúcar.

A importância do café na economia piracicaba e paulista continuaria a crescer consideravelmente até 1929, no entanto, mesmo durante a predominância dessa cultura, Piracicaba manteve sua importância como centro açucareiro. Na virada do século, Piracicaba e Capivari eram os maiores produtores de açúcar da província, com Santa Bárbara liderando em aguardente, comprovando a importância do setor na região.

Tal como ocorreu em boa parte do território paulista, o café deixou um legado importante para o desenvolvimento econômico futuro, com a implantação das ferrovias e a chegada de imigrantes europeus, utilizados como mão-de-obra assalariada nas fazendas.


O algodão


Além da cultura do café, a predominância da atividade sucroalcooleira em Piracicaba também foi ameaçada, por um breve período, pelo algodão e a indústria têxtil. Entre 1860 e 1870, a Guerra de Secessão americana provocou o desabastecimento de matéria-prima nas indústrias têxteis européias, incentivando o cultivo e as exportações brasileiras.

O breve ciclo do algodão provocou um surto industrial importante nas cidades da região; em Piracicaba surge a fábrica de tecidos Santa Francisca, conhecida posteriormente como Cia Agrícola e Industrial Boyes, instalada às margens do salto do Piracicaba, o qual era utilizado na geração de energia.

O restabelecimento da produção americana, com o fim da guerra, comprometeu os mercados internacionais do algodão brasileiro, resultando numa drástica redução da produção, o que terminou por afetar o funcionamento das industrias têxteis regionais.


Considerações sobre o desenvolvimento de Piracicaba até o início do século XX


A cultura da cana e a produção de açúcar, e por um período mais breve a lavoura do café, foram os fatores principais de desenvolvimento do município no Século XIX e início do século XX. No entanto, durante os momentos de decadência dessas atividades econômicas, Piracicaba não sofreu, ao contrário de outros povoamentos paulistas, um processo de esvaziamento (como as cidades mortas após a queda do café), pois o município nunca foi totalmente monocultor, sendo abastecido de gêneros alimentares pelas próprias fazendas e pequenas propriedades presentes nas áreas mais afastadas.

Até 1935, Piracicaba passa por um intenso processo de retalhamento da posse da terra, com o crescente predomínio da pequena propriedade, que praticavam a policultura para atender o mercado local, conseqüência imediata da implementação do trabalho assalariado e de núcleos de imigrantes. A coexistência da produção açucareira, cafeeira, e das pequenas propriedades, pode ser entendido se considerarmos a grande extensão territorial do município.

Outro fator importante desse período histórico para o desenvolvimento futuro do município foi a sua localização geográfica em relação aos principais meios de transporte da época, as ferrovias. Piracicaba estava ligado a Jundiaí por um ramal da linha da Cia. Paulista , e a Cia. Sorocabana avançou apenas até São Pedro, o que caracterizou Piracicaba, historicamente, como “fim de linha” das ferrovias, não consolidando no município, mais uma vez na história, um papel de ligação entre o leste e as novas áreas povoados do oeste.